COISA DE NOVELA

Um problema que virou solução

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COISA DE NOVELA

Na clássica novela O DIREITO DE NASCER quase no final há um grande momento: D. Rafael leva um choque ao receber Mamãe Dolores em sua casa e se dá conta que Albetinho Limonta é o seu neto, que ele mandou matar antes de nascer porque não queria manchar a honra da família, com a gravidez de Maria Helena, sua filha. Com a descoberta ele fica muito mal, entrevado, sem poder se mexer, sem falar, e não consegue revelar a verdade. Essa situação dura vários capítulos até que um belo dia ele sai do estado em que estava e fala a frase mais esperada: Albertinho é meu neto. E a novela caminha para o final feliz.

Mas a história não seria assim não. Na primeira versão da novela na rádio de Havana, em 1948, quando a atração estava próxima do final, o ator que fazia o D. Rafael recebeu uma oferta irrecusável da emissora concorrente. A ordem foi para que o autor Felix Caignet matasse o personagem, recurso muito usado em situações assim. Mas Caignet achou melhor tentar contornar a situação porque ele não podia alterar a trama e nem mudar de ator, naquela altura. Ele então colocou D. Rafael quase mudo por alguns capítulos. Alguém do elenco fazia uns sussurros e a novela prosseguia. A história só voltou ao roteiro original quando a rádio e o ator se acertaram.

Esse momento da novela fez tanto sucesso que todas as montagens seguintes seguiram o script: D. Rafael imóvel por muitos capítulos, esticando o suspense. Foi assim na Rádio Nacional, nas duas versões da Tupi, no SBT e em todas as demais versões, pelo mundo.

Na foto: Elísio de Albuquerque, o D. Rafael na versão da Tupi de 64, Aldo César no remake de 78 e Luiz Guilherme na versão do SBT, em 2001.

 

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