ACORDA PARA MORRER!

A ousadia histórica da TV Rio

Administrador··13 views
Compartilhar:
ACORDA PARA MORRER!

Na sua trajetória a TV Rio produziu, na era das novelas diárias, 15 histórias. A primeira delas, “A Morta Sem Espelho” é praticamente um capítulo à parte. Walter Clark, que dirigia a emissora convidou o dramaturgo Nelson Rodrigues para escrever uma novela. Clark queria fugir do mundo das novelas latinas, históricas. Mas, como ele mesmo conta no seu livro “O Campeão de Audiência”, a experiência não teve um final feliz.

Diz ele “era para ser a novela das oito, mas o juizado de menores ordenou 22h30 e como não existia essa faixa de novelas e não havia o hábito do público, tivemos de cancelá-la após dois meses”. O Correio da Manhã de 9 de novembro publicou: “terminou, afinal, A Morta Sem Espelho, um dramalhão fúnebre, um enredo deletério, de neuróticos e assassinos”. Mas fez elogios à linguagem ousada, solta e inesperada do autor.

A novela era uma versão da peça “Vestido de Noiva” contando a história de uma mulher adúltera (Isabel Teresa) que não se via em reflexo no espelho, como punição por ter traído o marido (Ítalo Rossi). A produção tinha trilha sonora de Vinicius de Morais, arranjada por Baden Powell e cantada por Fernanda Montenegro – que também atuava na novela

Uma cena ficou para sempre na memória do selecionado público da atração: o personagem de Ítalo Rossi acordava sua mulher, vivida pela atriz Isabel Tereza, cutucando-a com uma pistola, para dizer friamente: "Acorda para morrer".

Estiveram no elenco:

Aldo de Maio

Carminha Brandão

Fernanda Montenegro

Fernando Torres

Francisco Cuoco

Isabel Teresa

Ítalo Rossi

Jaime Barcelos

Maria Fernanda

Paulo Gracindo

Rosita Thomaz Lopes

Sérgio Brito

Zilka Salaberry

A ousadia dessa produção não teve sucesso de público, mas foi uma experiência que contribuiu na construção do padrão brasileiro de teledramaturgia, hoje elogiado em todo o mundo.

Todas as novelas diárias da TV Rio:

A Morta Sem Espelho (1963)

Pouco Amor Não é Amor (1963)

Sonho de Amor (1964)

Vitória (1964)

O Desconhecido (1964)

Imitação da Vida (1964)

Coração (1964)

Prisioneiro de um Sonho (1964)

Comédia Carioca (1965)

O Porto dos Sete Destinos (1965)

O Pecado de Ser Mãe (1966)

A Herança do Ódio (1966)

A Noiva do Passado (1966)

A Mulher Que Amou Demais (1966)

Acorrentados (1969)

Na foto Paulo Gracindo, Rosita Thomas Lopes e Jaime Barcellos m "A Morta sem Espelho"

 

Tags:Anos 60
Compartilhar: