A NOVELA DA GAZETA
Tudo que via na rua ela levava para casa

No final dos anos 70 a TV Gazeta de São Paulo decidiu colocar no ar uma novela. Era um projeto adequado ao tamanho da emissora. Com direção de Kleber Afonso, “Zulmira” mostraria os desafios de uma dona de casa preocupada com marido, filhos, preços, vizinhança, fofocas e a novela preferida. A trama se passaria na casa dela, especialmente no banheiro. E o cenário seria completo. Teria pia, box e o vaso sanitário, uma ousadia naquela época. E seria exibida num horário diferente, as 15h00.
Tudo caminhava bem. A estreia seria no dia 26 de janeiro de 1978, um dia após o 8º aniversário da emissora. Mas houve um problema... o vaso sanitário não passou na censura federal. Os censores, que na época, controlavam tudo que ia ao ar, alegaram que mostrar um sanitário, era uma afronta. A novela foi proibida bem no dia de sua estreia. A emissora trabalhou para reverter a proibição, mas um outro fato, grave, acabou com o projeto. O diretor da novela e mentor de todo o processo, Kleber Afonso, teve um derrame. Tudo se complicou. Sem ele foi impossível continuar. A novela nunca foi ao ar e a Gazeta nunca mais investiu em dramaturgia.
