WANDERLÉA TOMA UMA ATITUDE E SALVA A JOVEM GUARDA
Numa cena de comedia, porém muito séria

Paulo Machado de Carvalho Filho revela no seu livro “Histórias ... que a História não Contou” muitas passagens que retratam os bastidores da tv, no caso a Record, que jamais se repetirão. Um destes momentos aconteceu no final da década de 1960.
Quando o programa “Jovem Guarda” estourou muitos artistas precisavam ter seus contratos renovados. E era ele quem cuidava disso pessoalmente. O trio Roberto-Erasmo-Wanderléa era a espinha dorsal da atração e a saída de qualquer um deles causaria sérios danos ao empolgante sucesso daquelas tardes de domingo.
Um dia Wanderléa começou a ser assediada pela TV Excelsior, através de seu diretor, Edson Leite. A notícia vazou e o “Seu Paulinho” se apressou. Foi atrás da “Ternurinha” com um novo contrato debaixo do braço.
O encontro foi amigável, mas Wanderléa estava indecisa. Foi preciso muita conversa até convença-la a permanecer na Record. Quando ela ia assinar o novo documento, toca a campainha do apartamento. Era o representante da Excelsior. A única alternativa para aquela situação foi digna de uma sitcom. Seu Paulinho se escondeu embaixo de uma mesa coberta com uma enorme toalha que ia até ao chão, parecendo um garotinho que havia feito peraltices e escondia-se do pai. Ele escutou toda a conversa e por isso, sublinha em seu livro, passou a admirar Wanderléa ainda mais, pela sua educação e postura profissional. Com uma elegância ímpar, ela dispensou o emissário da concorrente, mostrou sua doçura peculiar, manteve a palavra e renovou o contrato com a Record.
O dito popular “manter o fio do bigode” foi por ela preservado, mesmo não tendo tais fios em seu lindo rosto, diz Paulo Machado de Carvalho Filho em seu livro.
