UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL
Vozes alternativas na tela da tv

No dia 4 de fevereiro de 1979 estreava na Rede Tupi um dos programas mais importantes da história da nossa tv: ABERTURA. Ele foi importante não pela sua grande audiência, mas pelo conteúdo. Durante algum tempo os brasileiros interessados na vida política do Brasil não podiam perder o programa. Tudo que se falava nas suas edições era assunto no dia seguinte. O programa ia ao ar no domingo as 22h00, embalado pela grande audiência de Silvio Santos e Flavio Cavalcanti.
A criação de Fernando Barbosa Lima, com a colaboração de Carlos Alberto Lofller, Carlos Alberto Vizeu, Luiz Calos de Oliveira, Carlos Rangel e Mario de Moraes, entre outros, colocava no ar uma sucessão de quadros de cerca de 5 minutos com um elenco revolucionário para aquele momento: Fernando Sabino, Glauber Rocha, João Saldanha, Norma Bengell, Antonio Callado, Villas-Boas Corrêa, Vivi Nabuco, Fausto Wolff, Tarcísio Hollanda, João Saldanha, Sergio Cabral, Newton Carlos, Flávio Rangel, Ziraldo, Célia Portela e Roberto D’Ávila. Todos gravavam suas colunas, entrevistas, depoimentos com uma só câmera. O conteúdo era editado, intercalado com vinhetas criativas, numa estética de vanguarda, se comparada com o restante da tv. E todos davam voz aos opositores do regime militar, num processo que envolvia uma habilidosa negociação entre os responsáveis pelo programa e as autoridades.
Com apresentação de Luís Jatobá a revista analisava o cenário político e cultural de um Brasil que debatia a abertura política, o processo de redemocratização, a anistia. Para aquele momento da história o programa mostrava na tv a possibilidade de uma luz no fim do túnel.
Na imagem, Luís Jatobá apresentando o programa, num frame processado por IA.
